Administração Trump defende operações militares contra embarcações suspeitas nas Caraíbas

 



A administração norte-americana voltou a defender, esta terça-feira, perante o Congresso dos Estados Unidos, a legitimidade das operações militares conduzidas nas Caraíbas contra embarcações alegadamente envolvidas no tráfico de droga. O secretário da Defesa, Pete Hegseth, e o secretário de Estado, Marco Rubio, classificaram a ofensiva como uma “missão muito bem-sucedida”, apesar das crescentes críticas levantadas por congressistas democratas e por especialistas em direito internacional.

Desde o início de setembro, por ordem direta do Presidente Donald Trump, as forças armadas norte-americanas realizaram ataques contra pelo menos 26 embarcações nas Caraíbas e no leste do Oceano Pacífico. Essas operações resultaram na morte de, no mínimo, 95 pessoas. Até ao momento, o executivo norte-americano não apresentou provas públicas que confirmem o envolvimento das vítimas em cartéis de droga ou organizações criminosas transnacionais.

A controvérsia intensificou-se após a divulgação de informações sobre um ataque ocorrido a 2 de setembro, no qual militares norte-americanos dispararam duas salvas contra uma embarcação já inutilizada e em chamas. A segunda investida terá provocado a morte dos dois sobreviventes que se encontravam a bordo, alimentando acusações de uso excessivo da força.

Em declarações à imprensa após uma audiência parlamentar à porta fechada, Hegseth afirmou que os ataques visam “organizações terroristas e cartéis de droga que ameaçam diretamente a segurança dos Estados Unidos”. Marco Rubio reforçou a ideia de que a estratégia faz parte de uma abordagem mais agressiva no combate ao narcotráfico, encarado pela atual administração como uma ameaça de natureza militar.

Ainda assim, o sigilo em torno das operações tem gerado forte contestação no Congresso. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, exigiu que todos os senadores tenham acesso às gravações completas e não editadas dos ataques. Segundo Schumer, a falta de transparência pode empurrar o país para “mais um conflito sem saída”, sobretudo num contexto de crescente presença militar norte-americana na região das Caraíbas.

Alguns republicanos também manifestaram reservas. O senador Rand Paul questionou se o facto de alvejar suspeitos já náufragos poderá constituir uma violação do direito internacional humanitário. Especialistas sublinham que este caso ilustra a tensão central da política externa de Trump, que passou a tratar o tráfico de droga como um verdadeiro ato de guerra.

Rubio e Hegseth indicaram que membros das comissões das Forças Armadas da Câmara dos Representantes e do Senado poderão assistir ao vídeo do ataque ainda esta semana, na presença do comandante responsável pela ordem, o almirante Frank Bradley. No entanto, o secretário da Defesa esclareceu que o Departamento da Defesa não divulgará publicamente o vídeo completo, por este estar classificado como ultrassecreto.

O Senado poderá vir a votar, nos próximos dias, resoluções destinadas a limitar a capacidade do Presidente lançar ações militares contra a Venezuela sem autorização explícita do Congresso, num contexto de crescente tensão entre Washington e Caracas.

Apesar das críticas, à saída da reunião, Chuck Schumer afirmou não ter ouvido “nada de novo” por parte da administração, acusando o Governo de comparecer ao Congresso “de mãos vazias” e sem garantias suficientes de responsabilização e controlo democrático.

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