Padre condenado a cinco anos de prisão efetiva por abuso de confiança
O Tribunal Central Criminal de Loures condenou o padre Arsénio Isidoro a cinco anos de prisão efetiva pelo crime de abuso de confiança qualificado, no âmbito de um processo que envolveu o desvio de verbas de seis instituições sociais. No mesmo julgamento, foi também condenada a quatro anos e seis meses de prisão efetiva Ana Cristina Gabriel, tesoureira e diretora-geral das entidades lesadas com quem o sacerdote trabalhou.
Segundo a decisão judicial, ficou provado que Arsénio Isidoro desviou cerca de 800 mil euros de instituições de solidariedade, entre as quais a Casa do Gaiato, a Associação Protetora Florinhas de Rua, a Ligar à Vida – Associação de Gestão Humanitária para o Desenvolvimento, o Instituto de Beneficência Maria da Conceição Ferrão Pimentel, o Centro Comunitário e Paroquial da Ramada e a Fábrica da Igreja da Paróquia da Ramada. Uma das entidades acabou por encerrar atividade devido à falta de meios para pagar salários.
Os dois arguidos foram absolvidos do crime de branqueamento de capitais, por não ter sido feita prova suficiente em julgamento. Ainda assim, o tribunal determinou o pagamento de indemnizações cíveis superiores a 2,5 milhões de euros: mais de 513 mil euros à Associação Protetora Florinhas de Rua, mais de 560 mil euros ao Centro Comunitário e Paroquial da Ramada e mais de 1,6 milhões de euros ao Estado.
A investigação, iniciada em 2014, detetou a existência de bens de luxo na posse do padre, nomeadamente um automóvel Porsche e um barco, que levantaram suspeitas quanto à origem dos fundos.
Contactado para comentar a decisão, Arsénio Isidoro não respondeu até ao momento. O caso volta a colocar em evidência a necessidade de reforço dos mecanismos de fiscalização e transparência na gestão de instituições de solidariedade social.

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